A ABAD segue acompanhando de perto, em Brasília (DF), o debate sobre o possível fim da escala 6×1 e a redução da jornada semanal de trabalho no Brasil. O tema ganhou força no Congresso Nacional e pode avançar ao longo de 2026, com discussões sobre a adoção de um modelo 5×2 e a redução da jornada máxima de 44 para até 36 horas semanais.
A discussão foi tema das últimas reuniões da Frente Parlamentar de Comércio e Serviços (FCS), da qual a ABAD participa ativamente em Brasilia. Os encontros contara com a presença do presidente da ABAD e da UNECS, Leonardo Miguel Severini, e do presidente da FCS, deputado Domingos Sávio, além de outros parlamentares.
Na quarta-feira, 4 de março, Domingos Sávio e representantes do setor apontaram risco de aumento de custos e impactos nos serviços. Já o deputado Zé Neto defendeu maturidade e diálogo, ressaltando que o tema é direito dos trabalhadores e precisa ser debatido. O deputado Luiz Gastão afirmou que ainda não há consenso, mas avaliou que o Congresso tem condições de conduzir o debate. Ao final, a FCS reforçou a necessidade de aprofundar estudos e manter o diálogo entre Parlamento, governo e setor produtivo em temas estruturais para a economia.
Impactos
Entre os cenários analisados com a possível redução da escala estão a necessidade de pagamento adicional de horas extras ou a contratação de novos trabalhadores para compensar a redução da carga horária.
Para setores intensivos em mão de obra, como comércio e serviços, o tema exige atenção especial. A avaliação da FCS, com adesão da ABAD, é que alterações na jornada podem impactar custos operacionais, produtividade e a geração de empregos.
Para Severini, o debate sobre o fim da escala 6×1 e a redução da jornada semanal de 44 para 36 horas, sem redução salarial, precisa avançar com responsabilidade e transparência sobre seus impactos econômicos e sociais.
Segundo o executivo, da forma como está colocada atualmente, a proposta pode gerar aumento imediato de custos para as empresas, pressionar os preços ao consumidor e agravar a já existente escassez de mão de obra em diversos setores. “Não se trata de ser contra melhorar a qualidade de vida do trabalhador. Trata-se de discutir como fazer isso sem impor um choque de custos que a economia brasileira não tem condições de absorver no curto prazo”, destaca.
Levantamentos apresentados por entidades do setor de alimentação fora do lar e divulgados pela Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes) indicam que a redução da jornada, com manutenção dos salários, pode elevar o custo da folha em cerca de 20%. No caso do setor de bares e restaurantes, a estimativa é de repasse entre 7% e 10% nos preços ao consumidor.
Na avaliação de Severini, os impactos da mudança também podem variar conforme o porte das empresas e a região do país. “Grandes empresas em regiões de maior renda conseguem absorver melhor aumentos de custo. Já o pequeno empreendedor, especialmente em regiões mais pobres, não tem essa margem. O risco é termos redução de serviços, fechamento aos domingos e diminuição de horários de atendimento”, pontua.
Para ele, esse é um tema legítimo, mas complexo e, justamente por isso, o consumidor precisa saber que, ao reduzir jornada sem reduzir salário, alguém pagará essa conta. E, no fim, esse custo recai sobre preços, empregos e qualidade do serviço.
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